Crise do gás pode elevar custo do adubo
Estoques menores e restrições de oferta pressionam os fertilizantes nitrogenados
Agrolink
A alta do gás natural na Europa aumenta a pressão sobre os custos de fertilizantes e da indústria brasileira. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, o movimento pode encarecer os nitrogenados na janela de compras para a safra 2027/2028.
O contrato holandês TTF para novembro subiu mais de 4% na quarta-feira (28), a 100,25 euros por megawatt-hora, maior nível desde dezembro de 2022. Antes da guerra com o Irã, iniciada no fim de fevereiro, o preço estava perto de 32 euros. Apesar da alta, segue abaixo do recorde de cerca de 340 euros de agosto de 2022.
Os estoques europeus estavam 75% cheios em 21 de outubro, frente à meta habitual de 90% para 1º de novembro. O inverno anterior terminou com 28%, abaixo da média de nove anos, próxima de 40%. A margem reduzida coincide com limitações aos embarques de gás natural liquefeito do Golfo Pérsico, sobretudo do Catar, e aumenta a disputa com a Ásia pelos cargueiros disponíveis.
Usado na produção de amônia e ureia, o gás mais caro comprime as margens das fábricas europeias e pode retirar oferta do mercado global. Como o Brasil importa a maior parte dos nitrogenados que utiliza, a pressão internacional pode chegar ao custo do produtor. A ACER estima que o conflito tenha elevado a conta de importação de gás da União Europeia entre 18 bilhões e 33 bilhões de euros.
O efeito também alcança a energia e a química de base. Os bens intermediários acumulam alta de 6,51% em 12 meses no IPA-M de outubro, a maior entre os estágios de processamento. Na avaliação do economista, esse canal de transmissão, somado à defasagem do diesel e ao câmbio da semana, reforça a pressão sobre os custos brasileiros no fim do ano.
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