Usinas podem ampliar valor além do etanol
O bagaço é um dos exemplos mais claros
Agrolink
As usinas de cana-de-açúcar têm espaço para ampliar receitas e eficiência com melhor aproveitamento das correntes geradas após a produção de açúcar e etanol. Segundo o engenheiro químico Vinícius Alberoni, bagaço, palha, vinhaça, torta de filtro e CO₂ biogênico ainda são tratados de forma semelhante ao que ocorria décadas atrás, apesar do potencial para gerar novos produtos e energia.
O bagaço é um dos exemplos mais claros. Além da geração de vapor e eletricidade, parte dele e da palha pode ser destinada à produção de etanol 2G, biochar, bio-óleo, gaseificação e combustíveis renováveis. A escolha depende do balanço energético, da biomassa disponível e do valor obtido por tonelada de matéria-prima.
A vinhaça pode agregar valor antes de retornar ao campo. A digestão anaeróbia permite transformar sua carga orgânica em biogás e biometano e, em configurações adequadas, abrir espaço para bio-hidrogênio. Torta de filtro e outras correntes orgânicas podem ser integradas ao processo, ampliando a recuperação energética e o aproveitamento do carbono. No biometano, perdas de metano e emissões fugitivas reduzem desempenho ambiental, receita e valor do projeto.
O CO₂ biogênico da fermentação também pode ser recuperado, purificado e destinado a usos industriais ou a novas rotas de combustíveis e produtos químicos. Água e nutrientes das correntes líquidas podem ser recuperados e recirculados, reduzindo captação externa e volumes destinados a tratamento.
A proposta é tratar esses fluxos como matérias-primas de uma biorrefinaria integrada. Assim, a mesma tonelada de cana pode gerar, além de açúcar, etanol e eletricidade, biometano, bio-hidrogênio, biochar, bio-óleo, CO₂ recuperado e nutrientes, ampliando o faturamento com a matéria-prima já disponível.
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